/REPORTAGEM | A extraordinária aventura dos emigrantes ourienses nos EUA

REPORTAGEM | A extraordinária aventura dos emigrantes ourienses nos EUA

Ao longo dos séculos, sempre que o mau se transformava em pior, os portugueses foram tentando a sorte noutros países. Em meados dos anos 80, com a chegada do FMI, houve uma grande vaga de emigração do concelho de Ourém para os EUA. Na sequência do apoio desta comunidade emigrante aos Bombeiros ourienses (ajudaram a comprar 3 viaturas, entre outros equipamentos), o mediotejo.net quis saber quem eram estas pessoas. O que as moveu a partir e o que as impele a ajudar. A interrogação conduziu-nos também numa aventura por terras do Tio Sam, à descoberta dos que partiram mas continuam a amar, ainda que de longe, a sua terra natal.

Procurámos circunscrever-nos a emigrantes ourienses, dadas as características regionais do nosso jornal, mas será de salientar que na viagem de agradecimento da Fanfarra dos Bombeiros Voluntários de Ourém à comunidade portuguesa e lusodescendente de Newark e Yonkers, EUA, entre 6 e 10 de junho, encontrámos inevitavelmente muitos emigrantes da região que rodeia Ourém, sobretudo do concelho/distrito de Leiria, mas também de outras zonas de Portugal. Entre clubes portuguesas e desfiles de portugalidade, é o sentimento nacional que importa e o desejo de contribuir para que a terra natal se desenvolva, retribuindo a identidade que os formou.

As narrativas têm, de forma geral, um padrão. A maioria dos entrevistados saiu do concelho de Ourém em meados dos anos 80, aquando a última entrada do FMI por terras lusas, um pouco à semelhança da crise de 2008, quando se viveu outro intenso período de retração financeira. O circuito de muitos fez-se a partir do México, entrando “a salto” nos EUA, de forma ilegal, quer a pé pela fronteira, quer escondidos em carros ou outros transportes. Foram sobretudo homens, mas também há mulheres nesta jornada.

Ao fim de alguns anos, mediante a existência de um contrato de trabalho, estes portugueses foram conseguindo a regularização, o chamado “green card”, e entretanto alguns naturalizaram-se. Hoje vivem integrados na sociedade norte-americana, possuem negócios ou trabalham por conta de outrem, regra geral com um nível de vida estável e de qualidade.

Fonte  mediotejo.net